A inadimplência  tem preocupado comerciantes e lojistas de todos os segmentos. Ela ocorre quando o pagamento de um produto ou serviço não é realizado dentro da data limite.

Como consequência, o cliente acaba por ter seu nome negativado em órgãos como o SPC e a Serasa. Isso também acaba por prejudicar os demais clientes que têm os pagamentos em dia, já que os comerciantes se vêem obrigados a adotar medidas drásticas, como alterar métodos de pagamentos.

Falaremos hoje sobre alguns dados estatísticos no Brasil e como ela pode ser driblada, evitando assim transtornos e complicações financeiras.

Alguns dados nacionais

A inadimplência tem atingido números assustadores: em 2017, um levantamento foi realizado pela Serasa de que pelo menos 61 milhões de brasileiros são inadimplentes.

É fácil entender porque cerca de 20% da parcela inadimplente não paga as contas. O Brasil tem mais de 13 milhões de pessoas desempregadas, o que dificulta bastante na hora de pagar as contas.

Esse valor total ultrapassou os R$250 bilhões de reais, um número excessivamente alto. A inadimplência pode afetar não somente o cliente como principalmente alguns setores da economia.

Por causa disso, muitas empresas ou lojas precisam fechar suas portas. E mesmo quando não declaram falência, acabam prejudicando outros segmentos, já que não há dinheiro suficiente para que elas possam repor o estoque de produtos.

E como isso acaba gerando um efeito dominó, por vezes funcionários precisam ser demitidos, o que gera uma taxa ainda maior de desemprego. Com uma taxa crescente de desemprego, a inadimplência também aumenta.

A inadimplência no Brasil

Somente no ano de 2017, o Brasil atingiu todos os recordes de inadimplência: foram mais de 61 milhões de brasileiros, aproximadamente 30% da população.

Outro levantamento feito pela Serasa aponta que cada um dos brasileiros inadimplentes possui em média quatro pagamentos em atraso. No mês de maio de 2017, quase um milhão de pessoas entraram para o SPC.

Geralmente, a maioria dos inadimplentes possui débitos com bancos e cartões de crédito. Uma parcela um pouco menor possui débito em outros setores, como lojas e contas pessoais.

E não é de se estranhar. O Brasil possui os juros de cartões de créditos mais altos do mundo. As taxas bancárias também entram na lista das mais caras.

Em decorrência da crise financeira que atingiu diversos segmentos da economia há poucos anos, muitas empresas começaram a cortar gastos, e por causa disso o desemprego aumentou consideravelmente. Além de muitas pessoas terem ficado desempregadas, várias lojas e empresas precisaram fechar as portas definitivamente.

Para controlar esse problema, foi criado um índice de inadimplência para que as empresas e lojas pudessem manter um controle mais rigoroso.

Como uma loja calcula o índice?

Como nós explicamos acima, você deve ter percebido que a inadimplência não afeta somente uma loja ou somente uma empresa, e sim tudo o que envolve o comércio.

Quanto mais inadimplentes uma empresa tiver, mais difícil ficará de arcar com despesas e maiores serão as probabilidades de haver um corte de gastos em massa ou mesmo declaração de falência da empresa.

Por isso, há um modo de calcular o índice de inadimplência de uma empresa. Confira abaixo como ele é calculado!

Em geral, empresas consideram que um cliente que está em débito há mais de 90 dias é inadimplente. Desse modo, foi criado um método para saber exatamente qual é esse índice.

O cálculo é feito de maneira muito simples. Basta somar os débitos pendentes, dividir pelo total de débitos emitidos pela empresa e multiplicar por 100. Vamos dar um exemplo:

Suponha que uma empresa tenha emitido os seguintes débitos abaixo:

  • Janeiro: R$100.000
  • Fevereiro: R$90.000
  • Março: R$70.000
  • Abril: R$55.000
  • Maio: R$95.000
  • Junho: R$80.000

Agora vamos supor que nem todo o valor foi pago. O total faturado pela empresa foi:

  • Janeiro: R$95.000
  • Fevereiro: R$88.000
  • Março: R$68.000
  • Abril: R$50.000
  • Maio: R$92.000
  • Junho: R$78.500

Portanto, os débitos da empresa até o mês de julho são:

  • Janeiro: R$5.000
  • Fevereiro: R$2.000
  • Março: R$2.000
  • Abril: R$5.000
  • Maio: R$3.000
  • Junho: R$1.500

Repare agora que o valor total de débitos pendentes é de R$18.500. Vamos usar como base 90 dias para considerar uma pessoa inadimplente. Se nós quisermos calcular a taxa de inadimplência no mês de julho, precisaremos considerar dados a partir de março.

Ou seja:

Taxa de inadimplência = Valores pendentes até acima de dois meses até julho  / total débitos emitidos pela empresa

Taxa de inadimplência = 5.000 + 2.000 + 2.000 / 100.000 + 90.000 + 70.000

Taxa de inadimplência = 9.000 / 260.000 = 0,03 = 3%.

Portanto, podemos dizer que a taxa de inadimplência até o mês de julho desta empresa é de 3%.

É importante que haja um controle rígido sobre essa taxa todos os meses. O Brasil está atingindo patamares acima do aceitável. O normal é que empresas mantenham essa taxa de 1% a 3% mensalmente, embora o ideal seja que esse número esteja sempre beirando o 0. Acima de 5% a empresa pode estar correndo grandes riscos de falir.

Evite esse problema

É importante, antes de qualquer outra coisa, manter um controle muito rígido sobre as finanças. É preciso manter um padrão de controle rigoroso sobre todas as contas, despesas e finanças de um negócio. Leia o também o artigo de sobre controle financeiro empresarial.

Portanto, faça uma análise minuciosa de cada cliente antes de realizar uma venda grande. Verifique se o nome do cliente está negativado e faça uma análise do seu perfil. Ele possui um grau de risco alto? Então considere se a venda será um fator de risco para você.

Do mesmo modo, busque manter os clientes fiéis e que fazem os pagamentos em dia sempre por perto. Se necessário, crie ações de marketing como promoções e descontos exclusivos para aqueles que se mostram bons clientes.

Sempre emita notas fiscais de um produto. A partir do momento em que você deixar de emitir, não terá nenhuma prova concreta de que foi realizada alguma venda. Se você precisar recorrer à justiça, não terá como provar. Para entender mais sobre esse assunto, leia nosso artigo sobre NFCe – nota fiscal eletrônica Consumidor.

Tente utilizar a estratégia de boletos. Primeiro, porque você pode especificar em um boleto a cobrança de um pagamento ainda não realizado. Segundo porque pode conter informações sobre multas e juros com as quais o cliente deverá arcar. Isso pode incentivar o cliente a fazer o pagamento.

Outra sugestão é utilizar softwares de automação empresarial para gerir suas finanças. Entenda mais sobre a importância desse serviço oferecido pela Lexos! Tenha um sistema que irá alavancar o sucesso da sua empresa.

Procure amparar o cliente alguns dias após a venda. Não é má ideia entrar em contato através de um e-mail ou telefone para saber se o cliente está satisfeito com a compra ou serviço adquirido. A partir das respostas dadas, será mais fácil identificar se o cliente apresenta um potencial de risco alto ou baixo.

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Fontes:

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2017/07/brasil-tem-recorde-de-inadimplentes-61-milhoes-com-nome-sujo.html

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